domingo, 14 de outubro de 2012

Silêncio

Silêncio
por dentro e por fora
colado há minha pele

silêncio
que me guia apenas por esta música maravilhosa

silêncio
que desperta o meu mundo
desperta o meu coração para as coisas boas da vida
que me trás boas recordações
em que me deixo levar por estas canções

silêncio
que me dá o tempo chuvoso
silêncio
que me dão estas palavras
estes minutos, estas horas, este tempo

silêncio
que se encontra comigo neste momento
silêncio
que descubro com os meus dedos

silêncio
que pinto no meu imaginário
silêncio
que cubro com todos estes versos há minha volta

silêncio
sombrio mas ao mesmo tempo bom
silêncio
descreto, improvável de acontecer sempre

silêncio
que fica quieto como o som destas palavras
que saiem da voz da música
em que a música soa tão bem como o silêncio
que atravessa as paredes da casa
e sente-se lá fora

silêncio
que acaba com as palavras
assim como começa
que saiem os últmos ruídos, as últimas palavras,
os últimos sentimentos de Paz,

silêncio
que transborda de pensamento e emoção
que sente o desejo por dentro do meu coração,

silêncio
és um abrigo sonhador
que se entrega por inteiro
e é como um ponteiro
de um relógio parado

silêncio
que agora é com este poema acabado
e, abafado
por estas palavras que defino como uma criatividade
que me é dada
e por mim realizada
e consequentemente embelezada!


O Silêncio

Peço apenas o teu silêncio,

como uma criança pede uma flor

ou um velho pedinte um bocado de pão.

Um silêncio

onde a tua alma se embrulha, friorenta,

trémula, à aproximação das invernias.

Um silêncio com ressonâncias de antigas primaveras,

de outonos descoloridos

e da chuva a cair no negrume da noite.



- Vá, motorista de táxi,

transporta-me

através das ruas da cidade inextricável,

vertiginosamente,

buzinando, buzinando,

abafando o ruído de um outro silêncio!



Saúl Dias, in "Essência"